A Prefeitura de Alagoinhas, por meio da Ouvidoria Geral do Município, resolveu promover uma cerimônia de reconhecimento a servidores e setores “excelentes” no atendimento ao cidadão. Foram 35 certificados entregues entre os dias 4 e 7 de maio, baseados em elogios registrados na plataforma Fala.Br. A iniciativa, na teoria, parece bonita. Mas na prática, levanta uma pergunta inevitável: excelência para quem?
Enquanto parte da população enfrenta filas intermináveis, demora em marcações, precariedade em postos de saúde, dificuldades no atendimento presencial e uma máquina pública marcada por reclamações constantes, o governo decide criar um clima de premiação e aplausos internos. O contraste entre a realidade vivida pelo povo e o discurso institucional é gritante.
Valorizar o servidor público é importante, sem dúvidas. Muitos trabalhadores sustentam a estrutura pública mesmo sem condições adequadas, baixos salários e pressão diária. Porém, transformar casos isolados de elogios em narrativa de excelência administrativa soa mais como propaganda do que compromisso verdadeiro com a população.
A plataforma Fala.Br é um instrumento relevante de participação popular, mas utilizar apenas manifestações positivas para construir uma imagem de eficiência ignora o volume de críticas, denúncias e insatisfações que também chegam diariamente aos canais oficiais. Transparência exige mostrar o cenário completo, não apenas aquilo que favorece o marketing institucional.
O cidadão não quer apenas certificados pendurados em paredes. Quer atendimento rápido, respeito, solução de problemas, medicamentos disponíveis, ruas cuidadas e serviços funcionando sem precisar implorar ou recorrer à mídia para ser ouvido.
Premiar setores em meio a uma gestão constantemente questionada pela população transmite a sensação de desconexão com a realidade das ruas. Em vez de cerimônias simbólicas, talvez fosse mais prudente investir em estrutura, treinamento, fiscalização e resultados concretos.
Porque excelência no serviço público não se mede por eventos de reconhecimento, mas pela satisfação real do povo que paga impostos e espera, no mínimo, dignidade no atendimento.