EDITORIAL

Possível elo político em esquema milionário amplia investigação sobre fuga em presídio baiano

O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi citado em delação da ex-diretora Joneuma Silva Neres como possível beneficiário de parte de uma propina de R$ 2 milhões ligada à fuga de 16 detentos em Eunápolis (BA), em dezembro de 2024. Segundo o depoimento, o valor teria sido negociado com o ex-deputado Uldurico Júnior, sendo R$ 1 milhão destinado a Geddel. O Ministério Público da Bahia informou que há elementos para aprofundar as investigações, mas ainda não existe comprovação direta de envolvimento do ex-ministro. Mensagens indicam que ele era tratado como figura influente nas conversas, e a delação aponta cobranças pelo pagamento após as eleições de 2024. O caso segue sob investigação.

Possível elo político em esquema milionário amplia investigação sobre fuga em presídio baiano

O nome do ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) surgiu em meio a uma investigação sensível que apura a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, no sul da Bahia, ocorrida em dezembro de 2024. A menção consta no depoimento da ex-diretora da unidade prisional, Joneuma Silva Neres, que firmou acordo de delação e apontou possíveis ramificações políticas no caso.

De acordo com o relato, uma quantia de R$ 2 milhões teria sido negociada como parte de um esquema de facilitação da fuga. O montante, segundo a delatora, teria sido intermediado pelo ex-deputado Uldurico Júnior, sendo que metade, R$ 1 milhão, supostamente destinada a Geddel.

O Ministério Público da Bahia confirmou que os elementos apresentados no depoimento são considerados relevantes e justificam o aprofundamento das investigações. No entanto, ressalta que, até o momento, não há comprovação direta de envolvimento do ex-ministro com organizações criminosas ou de que tivesse conhecimento da origem ilícita dos valores mencionados.

Mensagens e influência nos bastidores
Parte das suspeitas se sustenta em mensagens analisadas no curso da investigação. Nos diálogos, Geddel aparece citado como uma figura de forte influência, sendo tratado como “chefe” por interlocutores. Em alguns trechos, há indícios de que orientações estratégicas teriam sido atribuídas a ele, embora a autenticidade, o contexto e o alcance dessas interações ainda estejam sob análise pericial.

Investigadores trabalham para entender se tais menções refletem participação ativa, uso indevido de nome ou apenas tentativa de conferir peso político às negociações.

Cobranças após o pleito eleitoral
Outro ponto que chama atenção é a suposta pressão para pagamento dos valores após as eleições de 2024. A delação indica que, com o fim do período eleitoral, teriam ocorrido cobranças relacionadas ao cumprimento do acordo financeiro, sugerindo que o esquema poderia estar vinculado também a interesses políticos e eleitorais.

Próximos passos.

O caso segue em fase de investigação, com coleta de novas provas, oitivas de envolvidos e análise de dados telemáticos. A expectativa é que, com o avanço das diligências, seja possível esclarecer o grau de participação, se houver, dos nomes citados, além de identificar outros possíveis envolvidos na articulação que culminou na fuga em massa.

Até o momento, os citados não foram condenados, e o princípio da presunção de inocência permanece válido.