BAHIA

Educação terceirizada, abandono público e o preço da incoerência

Um contrato anual de R$ 200 mil. Agora some a isso uma reforma que, segundo estimativas, deve ultrapassar os R$ 400 mil.

Educação terceirizada, abandono público e o preço da incoerência

Um contrato anual de R$ 200 mil.
Agora some a isso uma reforma que, segundo estimativas, deve ultrapassar os R$ 400 mil.
O retrato que se desenha é claro: mais de meio milhão de reais sendo direcionados para um prédio que não pertence ao município, enquanto escolas públicas históricas caminham para o fechamento.

A pergunta deixa de ser apenas incômoda, passa a ser escandalosa:
quanto mais o município vai despejar do dinheiro do povo para tornar esse espaço “seguro e adaptável”?

Porque ninguém de boa-fé acredita que os custos se encerram aí. Reforma estrutural, adequações pedagógicas, transporte escolar, manutenção, vigilância… o gasto cresce, mas a transparência desaparece.

Enquanto isso, escolas municipais são empurradas para o abandono.

Estamos falando da desativação de unidades que cumprem papel social muito além da sala de aula:

Escola Antônio Silva Lima e Escola Senhora das Graças, no Povoado do Encantado
Escola José Nicolau, em Sauípe
Escola José Abelha, em Mangueira
Escola Tomé de Souza, na Fazenda Espuma
Escola São José, no Disai
Escola Rui Barbosa, no Cruzeiro dos Montes
Escola Vale do Sol, no loteamento Vale do Sol

Não são prédios vazios.
São territórios de pertencimento, proteção social, segurança alimentar, cuidado comunitário e presença do Estado.

É nesse cenário que surgem as denúncias feitas pelos vereadores Luma Menezes e Luciano Almeida. E é preciso ser categórico: não se trata de obra de marqueteiros, nem de discurso ensaiado para rede social. São denúncias sérias, responsáveis e sustentadas por fatos concretos.

A preocupação vai muito além do valor exorbitante já anunciado.
O problema é o modelo, a prioridade e o interesse por trás da decisão.

Por que investir mais de R$ 600 mil em um imóvel privado, sem qualquer garantia de permanência, enquanto escolas municipais são fechadas ou esvaziadas?
Por que deslocar crianças de seus territórios, rompendo vínculos comunitários, para sustentar uma decisão administrativa que parece atender mais a acordos políticos do que ao interesse público?

E a pergunta que ecoa nos bastidores:
quem está por trás desses arranjos faraônicos?

Não resta dúvida de que há um componente político evidente. O Partido dos Trabalhadores (PT) surge como beneficiário indireto da visibilidade e das melhorias promovidas em um prédio privado que faz parte da própria história do partido, em sua relação histórica com setores da Igreja Católica. Dinheiro público valorizando patrimônio privado, sob o discurso da educação, enquanto a rede municipal é desmontada.

Isso não é política educacional.
Isso é desvio de prioridade.

O gestor Gustavo Carmo precisa explicar à população por que considera aceitável gastar mais de meio milhão de reais fora da rede própria, enquanto escolas municipais são tratadas como obstáculos administrativos. A Secretaria Municipal de Educação também deve respostas imediatas:
quem autorizou essa mudança?

Houve estudo técnico, audiência pública, parecer do Conselho Municipal de Educação?

Ou estamos diante de decisões tomadas a portas fechadas, longe das comunidades afetadas?

Educação não é moeda de troca.
Escola pública não é problema.
Criança não é instrumento político.

Alagoinhas merece respeito.
E o dinheiro do povo, explicações.

Desperta, Alagoinhas.

Nilton Vasques Carvalho
Jornalismo com opinião, sem maquiagem e sem medo da verdade. DRT 7960/BA