Mais uma vez, o velho roteiro se repete, e sempre com os mesmos prejudicados. O SAAE de Alagoinhas fecha as torneiras do povo sem aviso, sem respeito e, ao que parece, sem qualquer compromisso com quem sustenta a máquina pública. Desta vez, o cenário do descaso é o Cruzeiro dos Montes, onde moradores enfrentam desde as 09h da manhã um dia inteiro de seca forçada.
Sem água, não há dignidade. Não se cozinha, não se toma banho, não se vive, apenas se resiste. E o mais revoltante: tudo isso acontece enquanto a conta chega pontualmente, pesada, inflada, cobrando não só pela água que não vem, mas por um esgoto tratado como artigo de luxo. Água virou ouro. E o povo, refém.
O contraste é gritante. Enquanto bairros centrais parecem blindados contra esse tipo de interrupção, a periferia amarga o abandono institucionalizado. É a geografia da desigualdade escancarada nas torneiras secas. Falta água, mas sobra descaso.
A autarquia, que deveria servir, insiste em maltratar. Age como se prestasse um favor, quando na verdade presta — mal e porcamente, um serviço essencial pago com o suor da população. E o silêncio diante dessas interrupções só reforça a sensação de impunidade administrativa.
E como se não bastasse o corte no abastecimento, o SAAE também se cala. Até o fechamento desta matéria, às 23h45, nenhuma explicação foi apresentada à população. Nenhuma nota, nenhum esclarecimento, nenhuma previsão de normalização. O silêncio da autarquia ecoa tão alto quanto a indignação de quem passa o dia inteiro sem água.
Diante desse cenário, a pergunta que ecoa nas ruas é simples: até quando? Até quando o cidadão de Alagoinhas será tratado como figurante em sua própria cidade?
Cabe agora ao prefeito Gustavo Carmo decidir se continuará assistindo de camarote ao colapso do abastecimento ou se, de fato, assumirá as rédeas dessa carruagem desgovernada. Porque, do jeito que vai, ela já começou a descer ladeira abaixo, e, junto com ela, vai a paciência de um povo cansado de promessas e sedento por respeito.