POLITICA

Conta Justa ou Enrolação Justa? Câmara Debate Enquanto Povo Continua Pagando Caro

A Câmara de Alagoinhas transformou a “Conta Justa” em mais um teatro político enquanto a população continua sufocada pelas altas tarifas de água e esgoto. O debate revelou discursos sobre “trâmites”, “constitucionalidade” e “pareceres técnicos”, mas pouca pressa para aliviar o bolso de quem mais sofre. Todos dizem defender o povo. O problema é que, até agora, a conta continua chegando cara, e a solução segue presa nos corredores da burocracia.

 Conta Justa ou Enrolação Justa? Câmara Debate Enquanto Povo Continua Pagando Caro

Enquanto a população de Alagoinhas continua sufocada por contas de água que parecem boletos de financiamento bancário, a Câmara Municipal transformou a chamada “Conta Justa” em mais um daqueles intermináveis espetáculos burocráticos onde o povo assiste e paga a conta.

O projeto que promete reduzir o impacto da tarifa de esgoto para famílias de baixa renda virou alvo de um verdadeiro cabo de guerra político dentro do Legislativo. De um lado, os vereadores(as) Luciano Almeida, Luma Menezes e jaldice cobra urgência e denuncia a demora na tramitação. Do outro, vereadores e membros da base reforçam o velho discurso da “constitucionalidade”, dos “pareceres técnicos” e dos “trâmites regimentais”, expressões que, na prática, costumam significar: empurra mais um pouco.

A fala de Luciano escancarou o desconforto da Casa ao afirmar que a Câmara precisa defender os interesses da população e não de governo. Bastou isso para o clima azedar. Rapidamente surgiram discursos tentando demonstrar que “todos defendem o povo”. A velha necessidade da política local de sempre vestir a fantasia da sensibilidade social enquanto o cidadão segue escolhendo entre pagar água, comprar comida ou atrasar outra conta.

O curioso é que ninguém discordou do principal: a tarifa é pesada, injusta e castiga principalmente os mais pobres. Ainda assim, o projeto continua andando em câmera lenta. Sessenta dias de tramitação para discutir um tema que pesa diretamente no bolso da população revela muito sobre as prioridades reais da política municipal.

O presidente da Câmara, José Cleto, garantiu que tudo segue os ritos legais e que, havendo parecer favorável, o projeto poderá ir à votação. Traduzindo do “politiquês”: talvez vote, talvez não vote, talvez fique para depois do recesso, talvez o povo espere mais um pouco enquanto o relógio da conta de água continua correndo.

Já alguns vereadores preferiram mergulhar no confortável discurso institucional. Falaram em “respeito às comissões”, “impacto financeiro”, “segurança jurídica” e “responsabilidade”. Tudo muito bonito no papel. O problema é que a população já está cansada de tanta prudência parlamentar e pouca solução prática.

No fim do debate, ficou evidente que existe consenso apenas em uma coisa: todos dizem estar preocupados com o povo. O problema é que preocupação sem ação virou commodity na política de Alagoinhas.

Enquanto isso, nas casas mais humildes da cidade, o hidrômetro segue girando, e a paciência da população também.