O SAAE de Alagoinhas parece ter descoberto uma nova fórmula de “transparência”: falar sozinho. A nova assessoria de comunicação do órgão mal assumiu e já conseguiu transformar as redes sociais oficiais em um verdadeiro mural de propaganda sem direito à opinião pública. A decisão de restringir comentários nas publicações caiu como uma bomba entre internautas, jornalistas e até servidores que conhecem o básico do funcionamento de um órgão público.
A pergunta que ecoa nas ruas e nas redes é simples: quem deve teme tanto a opinião da população?
O mais curioso é que o SAAE não é uma empresa privada vendendo perfume importado no Instagram. Trata-se de um órgão público, sustentado pelo dinheiro do contribuinte, responsável por serviços essenciais e que deveria ter como obrigação ouvir críticas, reclamações e cobranças da população. Mas, ao que parece, a prioridade virou controlar narrativa, maquiar desgaste e esconder a insatisfação popular atrás de postagens “institucionais”.
A chegada da nova comunicação já começou tropeçando feio. E tropeçando justamente no tema que mais exige preparo: transparência pública. Em vez de aproximar a população, a estratégia escolhida foi a mais autoritária possível no ambiente digital: limitar a voz do povo.
A ironia é ainda maior quando lembramos que o prefeito Gustavo Carmo sempre vendeu a imagem de especialista em comunicação. Criou-se a expectativa de que sua gestão seria moderna, aberta ao diálogo e eficiente no relacionamento com a população. O resultado até aqui, porém, parece uma gestão alérgica a críticas. Quando o cidadão comenta, questiona ou cobra, a solução encontrada não é responder — é silenciar.
E aí nasce um problema grave: órgão público não pode transformar rede social em vitrine de vaidade política. Comunicação institucional não existe para massagear ego de gestor, fabricar aplausos artificiais ou esconder crise de imagem. Existe para informar, prestar contas e dialogar com a sociedade.
Claro, ninguém é obrigado a aceitar ofensas, ataques ou crimes nos comentários. Existe moderação para isso. O problema é quando a exceção vira regra e a regra vira censura disfarçada de “gestão de redes sociais”.
A atitude do SAAE passa uma mensagem perigosíssima: a de que críticas incomodam mais do que problemas reais. Enquanto a população quer respostas sobre abastecimento, serviços, taxas e qualidade do atendimento, a prioridade parece ser administrar comentários de Instagram.
No fim das contas, a nova comunicação conseguiu um feito impressionante em pouquíssimo tempo: unir desconfiança, desgaste e revolta popular logo na estreia.
E se a intenção era melhorar a imagem do órgão, o tiro saiu tão pela culatra que virou meme político antes mesmo de completar a primeira semana.