Prefeitura transforma contrato temporário em balcão contínuo de aditivos
Em Alagoinhas, a palavra “emergência” deixou de representar exceção para virar método administrativo. A publicação do Termo Aditivo nº 006/2026, vinculada ao contrato nº 087/2025 da limpeza urbana, escancara um modelo de gestão sustentado por improvisos, prorrogações sucessivas e uma preocupante ausência de transparência.
O que deveria ser uma contratação emergencial, limitada e temporária, tornou-se uma rotina conveniente para a administração municipal. Em vez de realizar uma licitação ampla, competitiva e transparente — obrigação básica de qualquer governo minimamente organizado, a prefeitura insiste em manter o mesmo contrato sendo remendado através de aditivos consecutivos.
A pergunta que ecoa nas ruas é inevitável: trata-se de incompetência administrativa ou de conveniência política?
A permanência da empresa ID Serviços e Empreendimentos LTDA no centro desse modelo levanta suspeitas inevitáveis. Afinal, por qual motivo o governo evita abrir espaço para concorrência pública? Por que tanto medo de um novo certame? A ausência de respostas alimenta a percepção de que a gestão prefere preservar relações já estabelecidas a permitir um processo transparente e fiscalizado.
Enquanto isso, a cidade continua convivendo com problemas crônicos de limpeza, descarte irregular e serviços questionados pela população. A chamada “emergência” parece não estar nas ruas, mas dentro da própria incapacidade administrativa do governo.
O mais grave é que a repetição desses aditivos cria um ambiente perfeito para driblar o rigor da Lei de Licitações. O instrumento emergencial, que deveria ser exceção extrema, passa a funcionar como atalho permanente para fugir do debate público, da concorrência e da fiscalização efetiva.
Diante desse cenário, a Câmara de Vereadores não pode continuar anestesiada pelo silêncio conveniente. Cabe ao Legislativo investigar se esses aditivos escondem desorganização financeira, ausência de planejamento ou até acordos políticos utilizados para sustentar contratos sem transparência plena.
A gestão municipal tenta vender discurso de modernidade, mas governa como quem apaga incêndios provocados pela própria negligência. Em vez de planejamento, improviso. Em vez de eficiência, aditivos. Em vez de transparência, silêncio.
No fim, cada novo termo assinado deixa menos dúvidas: a emergência em Alagoinhas já não parece administrativa, parece política.
Matéria a partir do texto de Antônio Barreto