Não faz muito tempo que o famigerado “casal 020” ecoava, em alto e bom som, a chegada de uma suposta refinaria como se fosse a redenção econômica de Alagoinhas. Um enredo digno de campanha eleitoral: grandioso, sedutor, e vazio. Desde o início, já havia quem enxergasse além da cortina de fumaça e denunciasse a encenação como aquilo que de fato era: uma estratégia para inflar expectativas e, claro, votos.
O tempo, como sempre, tratou de desmontar a farsa. A refinaria evaporou, sumiu do mapa político com a mesma facilidade com que foi prometida. Mas o estrago ficou. Não levou consigo o rastro de desinformação, nem a névoa densa de oportunismo que ajudou a espalhar. O que restou foi uma cidade refém de discursos reciclados, promessas ocas e uma gestão que parece caminhar no sentido oposto às necessidades da população.
Enquanto isso, a realidade segue implacável: saúde pública fragilizada, serviços essenciais precários e uma carga de impostos que pesa, sobretudo, sobre quem menos pode. E onde está a voz que deveria ecoar em defesa dessa parcela mais vulnerável?
A vereadora Juci Cardoso, que carrega também o peso político de ser esposa de um “parlamentar”, parece ter feito uma escolha clara, e nada popular. Em vez de se posicionar como ponte entre o povo e o poder, optou por se alinhar ao Executivo. Resultado? Aprovação de empréstimos milionários, envoltos em discursos técnicos, mas carentes de transparência e, principalmente, de uma destinação concreta que justifique tamanho endividamento.
É o tipo de política que não enfrenta problemas, apenas os contorna com retórica. Que não entrega soluções, apenas discursos. E que, no fim das contas, transforma a esperança popular em moeda de troca eleitoral.
Alagoinhas segue, assim, entre o que se promete e o que se vive. Uma cidade de contradições, onde o espetáculo político continua em cartaz, mas o povo, mais uma vez, paga o ingresso mais caro.