A sessão da Câmara Municipal desta semana foi tudo, menos morna. O plenário virou palco de um debate acalorado entre os vereadores Luciano Almeida e Thor de Ninha, expondo, mais uma vez, o abismo entre discurso oficial e a dura realidade enfrentada pela população.
Durante sua fala, o vereador Luciano Almeida escancarou o caos no abastecimento de água e o aumento exorbitante da taxa de esgoto, questionando a lógica perversa de cobrar valores que chegam a R$ 400, R$ 600, especialmente de moradores do programa Minha Casa Minha Vida, muitos deles desempregados ou vivendo de renda mínima. Segundo o vereador, cobrar esgoto de quem mal tem água na torneira é mais do que injustiça: é crueldade institucionalizada. Para ele, essas famílias deveriam ser isentas.
Do outro lado, o vereador Thor de Ninha resolveu vestir a fantasia da defesa irrestrita e saiu em elogios ao diretor do SAAE, o senhor Renavan, classificando sua gestão como um “grande trabalho”.
Grande para quem, vereador?
Porque, fora do microfone, o povo não enxerga esse trabalho todo. Desde a chegada do atual diretor, o que se vê é falta d’água constante, contas impagáveis e um detalhe nada pequeno: mesmo sem água, a conta chega, e chega alta. Um verdadeiro massacre tarifário.
No retorno do grande expediente, o vereador Luciano Almeida não deixou barato e rechaçou a forma como foi tratado pelo vereador Thor, insinuando que o colega estaria nervoso com a proximidade das eleições. Nessa hora, o plenário sentiu o cheiro da pólvora política.
Mas o vereador Luciano não parou por aí. Mirou também o Governo do Estado, criticando a demora na regulação da saúde e o número alarmante de pacientes na fila de espera. Lembrou ainda da “novela do viaduto”, interditado há quase dois anos, em abril, completa aniversário de abandono, apesar das promessas de recuperação feitas pelo governo de Jerônimo Rodrigues.
Sem rodeios, o vereador Luciano chamou o governador de “cara de pau”.
O detalhe curioso? O vereador Thor de Ninha, hoje defensor fervoroso do governo, é o mesmo que, em outros tempos, apedrejava essa mesma gestão. A coerência, pelo visto, ficou presa na fila de regulação… ou soterrada sob o viaduto.
E como diz o velho ditado, oportuno como nunca:
“Quer conhecer o homem? Dê poder a ele, por menor que seja.”
A sessão terminou, mas o espetáculo da contradição segue em cartaz. E o povo? Continua sem água, com conta alta e sem paciência.