POLITICA

Caos administrativo, denúncias graves e a maquiagem dos recursos externos

A sessão da Câmara de Alagoinhas foi marcada por duras denúncias contra a gestão municipal. O vereador Luciano Almeida apontou atrasos salariais, falta de repasse do piso da enfermagem e até não recolhimento de FGTS, além de denunciar perseguição política a profissionais da saúde. Também houve críticas ao impedimento de fiscalização por parlamentares, atingindo nomes como Juci Cardoso e Luma Menezes, além de relatos de intimidação e ataques ao Legislativo. Apesar do cenário de crise, vereadores destacaram a chegada de mais de R$ 3 milhões em emendas do deputado Paulo Azi, além da previsão de novos recursos para a saúde com apoio de Sérgio Brito. O contraste entre recursos garantidos e a má gestão local foi o principal tom do debate.

Caos administrativo, denúncias graves e a maquiagem dos recursos externos

A sessão do dia (9) na Câmara de Alagoinhas expôs, mais uma vez, o abismo entre o discurso oficial e a realidade enfrentada por servidores e usuários da rede pública. Sob forte tom de indignação, o vereador Luciano Almeida trouxe à tona denúncias que escancaram o que classificou como um cenário de descontrole, perseguição e desrespeito institucional na gestão municipal.

O foco das críticas recaiu sobre a saúde pública, setor que, apesar de constantemente citado como prioridade, segue acumulando problemas estruturais e humanos. Segundo o parlamentar, profissionais da UPA e do Hospital Materno-Infantil enfrentam atrasos salariais, ausência de recolhimento de FGTS por meses e, de forma ainda mais grave, o não repasse do complemento do piso da enfermagem, recurso enviado pelo Governo Federal, mas que simplesmente não chega a quem de direito.

A denúncia não para na esfera financeira. Luciano também apontou a existência de um ambiente de intimidação dentro das unidades de saúde, onde, segundo ele, profissionais estariam sendo punidos até por gestos básicos de cordialidade com vereadores de oposição. Um retrato que, se confirmado, ultrapassa a incompetência administrativa e entra no terreno perigoso do autoritarismo.
A situação descrita levou o vereador a uma comparação direta com gestões anteriores, afirmando que o atual governo “jogou a toalha” e transformou o município em uma “cidade caloteira”. O exemplo mais simbólico: prestadores de transporte aguardando há quase um ano por pagamentos devidos, um sintoma claro de desorganização financeira ou, no mínimo, de prioridades distorcidas.

A crise institucional também se reflete no desrespeito ao Poder Legislativo. Em solidariedade à vereadora Juci Cardoso, impedida de exercer sua função fiscalizadora, Luciano relembrou episódios em que ele e as vereadoras Luma Menezes e Jaldice Nunes precisaram acionar a Polícia Militar para garantir acesso a órgãos públicos, um fato que, por si só, já representa uma anomalia institucional grave. Como se não bastasse, denúncias de ataques organizados por “milícias digitais” indicam uma tentativa de deslegitimar a atuação parlamentar.

Enquanto isso, no campo das cirurgias eletivas, frequentemente utilizado como vitrine da gestão, o que se vê nos bastidores é outro cenário preocupante. Profissionais submetidos a jornadas intensas, realizando até 36 procedimentos por dia, sem escala fixa, recebendo valores irrisórios após descontos e sem qualquer suporte logístico básico. Um modelo que transforma produtividade em exploração.
O vereador Cleto da Banana foi direto ao ponto: não se pode celebrar números positivos às custas da precarização de quem sustenta o sistema. A crítica desmonta a narrativa de eficiência e revela o custo humano por trás dos indicadores.

Em meio ao caos administrativo local, um contraste inevitável surge: os recursos federais. Luciano Almeida destacou mais de R$ 3 milhões destinados pelo deputado Paulo Azi, incluindo investimentos em saúde, esporte e assistência social. A vereadora Luma Menezes reforçou que novas emendas também contemplam áreas como infraestrutura esportiva e causa animal.

O vereador José Cleto acrescentou ainda a articulação para a chegada de mais R$ 1 milhão para custeio da saúde, fruto de diálogo com os deputados Paulo Azi e Sérgio Brito.

Mas o ponto que ecoa com mais força é o contraste gritante: enquanto recursos chegam de fora, a gestão local falha em fazer o básico, pagar trabalhadores, respeitar instituições e garantir condições dignas de trabalho.

O encerramento da sessão trouxe um recado claro: os vereadores prometem resistir ao que classificam como uma tentativa sistemática de enfraquecimento do Legislativo, inclusive por meio da não execução de emendas impositivas.

No fim, fica a pergunta que não quer calar: de que adianta captar recursos se a máquina pública local parece incapaz de transformá-los em dignidade, eficiência e respeito?

O texto tem por base o site Folha da Terra.