POLITICA

CORTINA DE CHUVA OU CORTINA DE FUMAÇA? Decreto em Alagoinhas expõe mais do que tenta esconder

O Decreto nº 6.605/2026 da Prefeitura de Alagoinhas, afirmando que o “Plano de Contingenciamento” usa as chuvas como justificativa para esconder problemas fiscais e falta de planejamento. Destaca contradições, como o aumento recente da máquina pública e, agora, o discurso de corte de gastos. Aponta ainda dívidas, contratos elevados e um empréstimo de R$ 200 milhões como fatores reais da crise, sugerindo que a gestão tenta transferir a responsabilidade para fatores climáticos em vez de assumir erros administrativos.

CORTINA DE CHUVA OU CORTINA DE FUMAÇA? Decreto em Alagoinhas expõe mais do que tenta esconder

Por trás do discurso técnico e da retórica emergencial, o Decreto Municipal nº 6.605/2026 surge menos como solução e mais como sintoma. Vendido como resposta rápida aos efeitos das chuvas em Alagoinhas, o chamado “Plano de Contingenciamento” parece cumprir um papel já conhecido na política brasileira: deslocar o foco da responsabilidade.

A gestão municipal tenta convencer a população de que a crise é climática. Mas, nos bastidores, o cenário aponta para algo bem mais previsível, e evitável. A chuva, neste caso, não alagou apenas ruas: tornou-se álibi.

O tal Comitê Gestor Fiscal, anunciado como ferramenta de controle e eficiência, chega tarde. Muito tarde. Depois de uma reforma administrativa que expandiu a máquina pública, multiplicou cargos de confiança e consolidou contratos de alto custo, falar em “racionalização de despesas” soa quase como ironia institucional.

A conta, como sempre, aparece depois da festa.

E não é uma conta pequena. Há um esforço evidente de reorganização forçada das finanças para dar conta de compromissos que já nasceram pesados: convênios que exigem contrapartidas robustas, contratos milionários e um empréstimo de R$ 200 milhões que paira como uma sombra sobre o futuro fiscal do município.

A pergunta que ecoa fora dos gabinetes é simples: se o cenário já era delicado, por que inflar a estrutura pública? E agora, por que recorrer ao clima como justificativa?

A resposta pode estar menos na meteorologia e mais na política.

Transformar a chuva em vilã é conveniente. Afinal, ela não vota, não responde e não contesta. Diferente da população, que sente no dia a dia o impacto de decisões tomadas sem o devido planejamento.

O que se vê em Alagoinhas não é apenas uma gestão reagindo a uma eventualidade climática, mas tentando administrar as consequências de escolhas políticas mal calibradas. O decreto, nesse contexto, deixa de ser ferramenta de proteção e passa a funcionar como biombo, daqueles que escondem, mas não resolvem.

Enquanto isso, a cidade segue entre a lama das ruas e a névoa das justificativas. E, no fim, a maior enxurrada pode não ser a da chuva, mas a de desculpas.