Enquanto o prefeito Gustavo Carmo ocupa palanques e redes sociais com palavras bonitas sobre “respeito” e “gratidão” ao funcionalismo público, uma realidade incômoda insiste em gritar mais alto: trabalhadores terceirizados acumulam três meses sem receber. E aqui cabe a pergunta que a propaganda oficial não responde, que tipo de respeito é esse que não chega ao bolso de quem mantém a máquina pública funcionando?
O discurso é sedutor, quase ensaiado. Valorizar servidores é, de fato, justo e necessário. Mas governar não é apenas discursar; é, sobretudo, cumprir obrigações básicas. E pagar salários não é favor, não é gesto de boa vontade é o mínimo e o óbvio.
Na prática, o que se vê é uma divisão perversa dentro do próprio serviço público: de um lado, os reconhecidos nos discursos; do outro, os invisíveis na folha de pagamento. Os terceirizados, que garantem limpeza, manutenção e funcionamento de setores essenciais, seguem sendo tratados como peças descartáveis de uma engrenagem que só funciona quando convém à narrativa política.
A situação expõe não apenas um problema administrativo, mas uma falha de gestão grave. Quando uma prefeitura deixa acumular três meses de atraso, não estamos falando de um deslize pontual, estamos diante de desorganização, negligência ou escolha política. E qualquer uma dessas opções é inaceitável.
O silêncio do poder público só agrava o cenário. Cabe ao sindicato da categoria, o Sindlimp, sair do campo da observação e partir para a ação. Porque, se depender apenas da sensibilidade da gestão, os terceirizados continuarão sendo empurrados para o fim da fila, ou pior, para o esquecimento.
No fim das contas, a tal “gratidão” parece ter endereço certo. E não é o dos trabalhadores que estão há três meses tentando sobreviver sem salário.
Em Alagoinhas, o problema já não é apenas de gestão. É de prioridade. E, ao que tudo indica, quem realmente sustenta a cidade não está entre elas.
Por Nílton Vasques Carvalho