Enquanto a Prefeitura de Alagoinhas anuncia novos eventos, contratações e programações culturais, um problema antigo continua ecoando nos bastidores dos palcos: artistas, músicos, técnicos, produtores e profissionais da cultura ainda aguardam o pagamento por serviços já prestados ao município.
A denúncia foi tornada pública pela Associação dos Músicos Profissionais de Alagoinhas (AMPA), que divulgou uma nota cobrando a regularização dos pagamentos de profissionais que participaram de eventos promovidos pela administração municipal e que, segundo a entidade, seguem sem receber pelos trabalhos realizados.
A situação levanta uma pergunta inevitável: como se pode planejar novas festas enquanto compromissos antigos permanecem pendentes?
Os profissionais da cultura cumpriram sua parte. Subiram aos palcos, garantiram entretenimento ao público, movimentaram a economia local e, em muitos casos, colocaram dinheiro do próprio bolso para custear transporte, equipamentos, equipes e estrutura. Agora, aguardam aquilo que deveria ser o mais básico em qualquer relação contratual: o pagamento pelo serviço executado.
A nota da AMPA é firme, mas respeitosa. Não fala em confronto político, mas em dignidade profissional. E é justamente aí que reside a gravidade do problema. Receber pelo trabalho realizado não é benefício, favor ou gentileza administrativa. É obrigação.
A cultura, frequentemente exaltada em discursos oficiais e campanhas institucionais, parece voltar a ocupar o papel de última prioridade quando chega a hora de honrar compromissos financeiros. O resultado é um cenário de insegurança para quem vive da arte e depende desses recursos para sustentar suas famílias e manter suas atividades.
O silêncio da gestão diante das cobranças apenas aumenta a insatisfação de uma categoria que já enfrenta inúmeras dificuldades para sobreviver em um setor historicamente marcado pela falta de valorização.
Afinal, aplausos não pagam contas. Reconhecimento em rede social não quita boletos. E promessas não substituem depósitos bancários.
A cobrança da AMPA expõe uma realidade que vai além dos artistas diretamente afetados. Trata-se de uma discussão sobre respeito, credibilidade administrativa e compromisso com aqueles que ajudam a construir a identidade cultural da cidade.
Se a arte não pode esperar, como afirma a entidade, os pagamentos também não deveriam esperar.