Faltando pouco mais de um mês para o São João, a Prefeitura de Alagoinhas anuncia que vai começar agora a buscar empresas para patrocinar a festa. A pergunta que fica é simples: quem acredita que um evento da magnitude do São João se organiza em cima da hora?
O próprio prefeito Gustavo Carmo admitiu, durante entrevista à Digital FM, que o município depende da iniciativa privada para conseguir realizar os festejos praticamente “sem gastar nada ou quase nada”. A declaração escancara uma realidade preocupante: uma cidade que arrecada mais de R$ 700 milhões por ano parece incapaz de sustentar seus próprios eventos culturais sem recorrer a verdadeiras campanhas de arrecadação.
Enquanto isso, o cidadão comum enfrenta meses de espera para conseguir uma consulta, exames atrasados, bairros abandonados, surtos de dengue e chikungunya, ruas esburacadas e serviços públicos precários. Mas, de repente, querem convencer a população de que empresas privadas irão correr contra o tempo para financiar bandas, estrutura, ornamentação e eventos na zona rural em poucas semanas.
A situação soa menos como planejamento e mais como improviso administrativo.
O São João é uma das maiores manifestações culturais do Nordeste. Municípios sérios começam a organizar suas festas com muitos meses de antecedência, garantindo atrações, estrutura, segurança, logística e apoio ao comércio local. Em Alagoinhas, a impressão é de que tudo acontece no susto, na pressão e na esperança de que alguém apareça para salvar o evento.
Mais grave ainda é o discurso da “via de mão dupla”, praticamente convocando empresários para assumir responsabilidades que deveriam partir de uma gestão organizada e financeiramente preparada. A prefeitura age como quem administra uma cidade falida, embora os cofres públicos recebam cifras milionárias todos os anos.
A cada novo anúncio, cresce entre a população a sensação de que Alagoinhas vive uma gestão baseada em marketing, decretos emergenciais e improvisações sucessivas. O resultado é uma administração que já começa a ser apontada por muitos moradores como uma das mais desorganizadas das últimas décadas.
Se o São João realmente acontecer em grande estilo, será mérito da cultura nordestina e da força do povo. Porque planejamento público, até agora, parece ter passado longe da Praça Mário Laerte.