A recente demissão envolvendo servidores da Câmara Municipal segue levantando mais dúvidas do que respostas, e escancara um ambiente político marcado por tensão, insinuações e decisões questionáveis.
Inicialmente, é necessário esclarecer: a declaração de que estaria convivendo diariamente com um “agressor” dentro da Câmara foi feita pela vereadora Juci, e pelo equívoco na interpretação anterior, fica registrado o pedido de desculpas.
No entanto, outro ponto se torna central nesse episódio: a postura da vereadora Jaldice, que, ao contrário de se omitir, não aceitou “varrer o caso para debaixo do tapete” e optou por não recuar diante da gravidade da situação.
E é justamente a partir dessa decisão que surge uma grave suspeita: em represália à postura firme da vereadora, o presidente Cleto da Banana teria, mais uma vez, utilizado o peso da caneta para demitir um servidor, que, ao que, não tinha qualquer relação direta com o problema em discussão.
Se confirmada essa lógica, o cenário é ainda mais preocupante: a estrutura administrativa sendo usada como instrumento de pressão política, atingindo terceiros que nada têm a ver com o conflito.
Não seria um caso isolado. Há registros de episódios anteriores que apontam para o mesmo padrão, decisões centralizadas, pouca transparência e o uso do cargo para impor vontades. Em uma gestão anterior, o próprio presidente já teria utilizado a caneta para impor a demissão do mesmo servidor indicado pelo então vereador Arão, após este se posicionar contra a candidatura do atual prefeito, por entender que não havia preparo administrativo para conduzir os destinos de Alagoinhas.
A Câmara pode até naturalizar esse tipo de prática internamente. Mas fora dos corredores, a população observa. E mais do que isso: guarda.
Outro ponto que merece atenção é a gestão de contratos com empresas terceirizadas, como a Id Serviços. Questionamentos sobre o número de funcionários em relação à demanda de trabalho levantam dúvidas sobre o uso responsável dos recursos públicos.
Diante disso, cabe aos órgãos de controle, como o Ministério Público, aprofundar qualquer indício de irregularidade. O dinheiro público exige respeito, e decisões administrativas também.
No fim, a retificação ajusta os fatos. Mas o que permanece é um ambiente político onde decisões parecem ir além do interesse público, e isso, cedo ou tarde, cobra seu preço.