Discurso como máscara: quando a política perde a coerência
Em Alagoinhas, já não basta observar o que se diz, é preciso analisar o que se faz. O uso de pautas sensíveis como defesa das mulheres, das minorias e da cultura popular virou, para alguns, apenas um instrumento de conveniência eleitoral.
O problema não está nas bandeiras, que são legítimas e necessárias. O problema está em quem as utiliza como escudo, enquanto na prática adota posturas que contradizem completamente o discurso que apresenta em público.
Relatos recorrentes de comportamento autoritário, conflitos internos e desgaste com pessoas próximas expõem uma realidade incômoda: a política do palco não resiste ao teste dos bastidores. Quando há incoerência, o discurso vira máscara, e a máscara, com o tempo, cai.
A apropriação de símbolos como a capoeira, patrimônio cultural de resistência, ou da luta das mulheres, não pode servir como estratégia de marketing político. Essas causas exigem respeito, coerência e compromisso real, não encenação.
A sociedade já começa a perceber esse descompasso. E quando o eleitor identifica que há mais aparência do que verdade, o julgamento vem, silencioso, mas implacável.
Na vida pública, não adianta construir imagem se as atitudes caminham na direção oposta. Porque, no fim, não é o discurso que sustenta uma liderança, é a coerência.