A denúncia da vereadora Luma Menezes escancara um cenário que já ultrapassou o limite do aceitável: a educação municipal se transformou em um retrato evidente de abandono, mesmo sendo sustentada por um dos maiores orçamentos da gestão pública, cerca de R$ 150 milhões.
No papel, os números impressionam. Na prática, o que se vê é um sistema em deterioração. Salas de aula tomadas por mofo, ausência de bebedouros, estruturas precárias e um ambiente que não apenas falha em educar, mas compromete a dignidade de alunos e professores. O quadro é ainda mais grave diante de uma realidade constrangedora: educadores e pais sendo obrigados a realizar arrecadações para suprir necessidades básicas, uma distorção inaceitável das responsabilidades do poder público.
As críticas recaem diretamente sobre a secretária Rita Bastos, ligada ao Partido dos Trabalhadores, cuja gestão é apontada como distante, burocrática e desconectada da realidade das escolas. A percepção é de uma administração isolada em gabinetes, alheia às condições degradantes enfrentadas diariamente por alunos e profissionais da educação.
O histórico recente também pesa. A passagem do atual prefeito Gustavo Carmo pela Secretaria de Educação, durante três anos, ainda é lembrada sob forte crítica. É nesse período que surgem questionamentos persistentes sobre o destino dos recursos do FUNDEF, episódio que segue sem respostas claras e continua alimentando desconfiança na gestão dos recursos públicos.
Em contraste com o cenário atual, ainda ecoa dentro da própria secretaria o saudosismo da gestão do ex-secretário Fabrício Faro, período lembrado por maior valorização do corpo docente e melhores condições estruturais nas escolas. A comparação, inevitável, reforça a percepção de retrocesso.
A fala de Luma Menezes transcende o campo político, é um alerta social.
Quando professores precisam tirar do próprio bolso para manter o funcionamento básico das escolas, o sistema já entrou em colapso. Quando pais são convocados a custear o mínimo, a falha da gestão pública é não apenas administrativa, mas moral.
Diante disso, a questão central deixa de ser a falta de recursos e passa a ser a ausência de gestão eficiente e compromisso real com a educação. Em meio a discursos e narrativas, a comunidade escolar continua pagando, literalmente, o preço da negligência.
No fim, a pergunta permanece, incômoda e sem resposta: onde estão os R$ 150 milhões?