O prefeito Gustavo Carmo comemora, com entusiasmo, os números da educação municipal. Segundo ele, o índice saiu de 36, tinha como meta 47, e alcançou 55. À primeira vista, parece avanço. Mas, quando se raspa a superfície dos dados, a realidade expõe um cenário bem menos comemorativo.
Durante três anos à frente da Secretaria de Educação, o próprio prefeito contou com um aporte significativo de cerca de R$ 34 milhões oriundos de precatórios. O resultado concreto desse investimento? Nenhuma escola construída, nenhuma creche erguida e reformas praticamente inexistentes. A pergunta é inevitável: onde foi parar esse recurso?
Quando se compara o desempenho com outros municípios baianos, o discurso triunfalista perde ainda mais força. Em um ranking de 22 cidades, Alagoinhas ocupa apenas a 8ª posição, e isso considerando a lista de baixo para cima. Ou seja, ainda há uma longa fila de municípios à frente, como Aramari, Ouriçangas, Itapicuru, Araçás, Pedrão, Crisópolis, Cardeal da Silva, Rio Real, Itanagra, Pojuca, Catu e Mata de São João.
Se há algo a comemorar, talvez seja apenas o fato de estar à frente de cidades como Acajutiba, Esplanada, Entre Rios, Jandaíra, Inhambupe e Olindina, o que, convenhamos, está longe de ser um feito digno de festa.
Outro ponto que chama atenção é a condução da pasta: a Secretaria de Educação está sob responsabilidade de Rita Bastos, indicada politicamente pelo PT. Ainda assim, o que se vê na prática é uma gestão que comemora números enquanto deixa de apresentar resultados estruturais concretos para a população.
Enquanto isso, a realidade nas escolas públicas segue marcada por falta de infraestrutura, ausência de investimentos estruturais e um ensino que ainda luta para oferecer o básico. Soma-se a isso um dado incômodo: muitos filhos de políticos e gestores não estão na rede pública, mas sim em escolas particulares, uma escolha que escancara a falta de confiança no próprio sistema que administram.
A comemoração oficial contrasta com o sentimento de quem vive o dia a dia das escolas. Para muitos, não há o que festejar, mas sim o que cobrar. A celebração de números frios, descolados da realidade concreta, soa mais como estratégia política do que como reflexo de uma verdadeira transformação na educação.
No fim das contas, fica a sensação de que o discurso não acompanha a prática, e que as futuras gerações podem acabar pagando o preço de decisões presentes marcadas mais por propaganda do que por compromisso real com a educação.