O âncora da rádio Ouro Negro FM, Caio Pimenta, levanta pontos importantes sobre os problemas estruturais da cidade, mas tropeça ao normalizar uma lógica preocupante: a de que atividades básicas só acontecem por meio de emendas parlamentares.
É preciso dizer com todas as letras: se não fossem as emendas dos vereadores, campeonatos de futebol, capoeira, vôlei e outras iniciativas esportivas simplesmente não existiriam no município. Isso, por si só, já é um retrato do colapso da gestão.
O que deveria ser política pública permanente, incentivo ao esporte, lazer e cultura, virou moeda de sobrevivência administrativa. A prefeitura, sob o comando de Gustavo Carmo, parece incapaz de garantir o mínimo sem recorrer a remendos políticos.
E aqui mora a contradição: ao mesmo tempo em que se cobra apoio externo, do Governo do Estado, da União e dos próprios vereadores, silencia-se sobre o fato de que a máquina pública municipal está inflada, cara e, ainda assim, ineficiente.
Com uma arrecadação que ultrapassa R$ 700 milhões por ano, a dependência de emendas para bancar campeonatos esportivos não é apenas incoerente, é um sintoma grave de má gestão.
A pergunta continua no ar: como pode faltar para o básico, quando sobra no papel?
Enquanto isso, o discurso segue… mas a realidade insiste em desmenti-lo.