Alagoinhas assiste, mais uma vez, ao avanço silencioso, e previsível, das arboviroses. Chikungunya, Dengue e Zika se espalham por bairros inteiros enquanto a fiscalização de terrenos baldios segue inexistente, frouxa ou seletiva. O resultado? Uma cidade entregue aos criadouros, onde o descaso público se transforma em combustível para a doença.
Relatos surgem de todos os cantos. No Mangalô, um morador expõe, em imagem e indignação, mais um terreno abandonado, mato alto, água parada, o cenário perfeito para o Aedes aegypti fazer o que a gestão não faz: se multiplicar com eficiência. E não é caso isolado. São dezenas, talvez centenas de focos ignorados por uma prefeitura que parece reagir apenas quando o problema já virou crise.
É evidente: a população também tem responsabilidade. Mas a omissão institucional não pode ser relativizada. Autoridade que não fiscaliza, não cobra e não age, legitima o caos. E o que se vê é exatamente isso, uma administração que terceiriza a culpa e foge do enfrentamento real.
Enquanto isso, vendem à população a ilusão do “fumacê”, como se fosse solução mágica. Não é. Trata-se de um inseticida lançado no ar, muitas vezes a cerca de seis metros de altura, enquanto o mosquito costuma voar mais baixo. O efeito é limitado, paliativo e, pior, colateral: mata abelhas, borboletas e até pequenos pássaros. Ou seja, agride o meio ambiente e falha em resolver o problema na raiz.
Saúde pública não se faz com espetáculo, se faz com gestão. Com fiscalização rigorosa, autuação de proprietários negligentes, limpeza sistemática e ação jurídica quando necessário. Casas abandonadas continuam intocáveis, servindo de incubadoras de doença, enquanto o poder público assiste de longe, quando assiste.
E onde está o prefeito Gustavo Carmo? Não se vê iniciativa firme para ingressar na Justiça e garantir o acesso de agentes de endemias a imóveis fechados ou abandonados. Não se vê um plano robusto, contínuo e eficaz. O que se vê, ao contrário, é uma gestão mais preocupada em silenciar críticas do que em enfrentar a realidade.
O mosquito não espera. A doença não negocia. E a população não pode continuar pagando o preço da incompetência.
Alagoinhas não precisa de fumaça. Precisa de ação.