POLITICA

Garoto de Playground: o prefeito que brinca de governar

A matéria critica a gestão do prefeito Gustavo Carmo, destacando que o Dia do Prefeito passou sem reconhecimento em Alagoinhas, o que reflete insatisfação interna. Após 16 meses, o texto aponta falta de entregas concretas, ausência de diálogo com equipe e população, além de promessas não cumpridas, como o combate ao nepotismo. O prefeito é retratado como imaturo na condução do cargo, o “garoto de playground”, e acusado de reagir mal a críticas, enfraquecendo o debate democrático e a confiança na gestão.

Garoto de Playground: o prefeito que brinca de governar

O calendário cívico brasileiro reservou o dia 11 de abril para homenagear aqueles que carregam nas costas o peso da gestão municipal. É o chamado “Dia do Prefeito”, marco simbólico que remete a 1835, quando se instituiu o primeiro cargo dessa natureza no país. Uma data que, em tese, deveria servir não apenas para aplausos, mas para reflexão — sobretudo sobre quem governa e como governa.

Em Alagoinhas, no entanto, o silêncio falou mais alto. Nenhuma nota, nenhum gesto institucional, nenhuma mobilização sequer entre os mais de 400 cargos comissionados. Um vazio que não parece acidental, soa mais como sintoma.

Após 16 meses de gestão do prefeito Gustavo Carmo, o que se observa é uma administração que ainda patina entre promessas grandiosas e entregas invisíveis. A narrativa de mudança, tão alardeada no período eleitoral, perdeu força diante de uma realidade que insiste em não acompanhar o discurso.

Nos bastidores, a insatisfação já não é sussurrada, ela ecoa. Falta diálogo, sobra ruído. Colaboradores se queixam de portas fechadas, enquanto a população assiste, cada vez mais distante, a um governo que parece governar para si mesmo. A política, nesse cenário, deixa de ser ponte e passa a ser muro.

Não por acaso, surgem apelidos. “Garoto de playground” é o mais repetido, uma crítica que mistura ironia e frustração, apontando para uma condução considerada imatura, personalista e pouco afeita à responsabilidade que o cargo exige. A metáfora não é gratuita: sugere alguém que ocupa o espaço do poder como quem ocupa um brinquedo, sem a devida noção de consequência.

E há mais. O mesmo gestor que, em discurso na Câmara, prometeu moralizar a máquina pública com um decreto contra o nepotismo, rapidamente tratou de flexibilizar na prática o que endureceu na fala. A prefeitura, para muitos, passou a lembrar uma extensão doméstica, uma “casa de mãe Joana” institucionalizada, onde critérios técnicos cedem espaço a vínculos pessoais.

Como se não bastasse, cresce a percepção de um governo que reage mal à crítica. Em vez de absorver o contraditório como instrumento democrático, opta por tensionar, judicializar e, por vezes, intimidar. Um movimento perigoso, que fragiliza o debate público e empobrece a própria gestão.

O Dia do Prefeito, que deveria ser de celebração, terminou sendo de constrangimento silencioso em Alagoinhas. Talvez porque, no fundo, até os aliados mais próximos saibam: não há muito o que comemorar quando o governo se distancia da realidade que prometeu transformar.

No fim das contas, a pergunta que paira é simples e incômoda: até quando a cidade será tratada como um playground político?