O Prefeito da Sensibilidade Seletiva: Justiça Para Vídeo, Abandono Para a Cidade
Em mais um capítulo da política de vitrine que domina Alagoinhas, o prefeito Gustavo Carmo comemora uma decisão judicial favorável contra o vereador Luciano Almeida por conta do compartilhamento de um vídeo com críticas e agressões verbais ocorridas durante um evento público em setembro de 2025.
A narrativa oficial, impulsionada pela imprensa alinhada ao poder municipal, tenta construir a imagem de um prefeito vítima de ataques gratuitos. O problema é que parte importante da história parece convenientemente esquecida ou editada: segundo relatos de quem estava presente, o próprio prefeito teria iniciado o confronto verbal contra o jornalista responsável pelas críticas, mas a versão divulgada ao público apareceu recortada, higienizada e cuidadosamente moldada para transformar o agressor em ofendido institucional.
A decisão judicial existe e deve ser respeitada. Mas respeito à Justiça não impede questionamentos sobre a seletividade da indignação política em Alagoinhas. Enquanto a máquina pública encontra tempo, estrutura e disposição para mover ações contra opositores e críticos, a população enfrenta uma cidade mergulhada em abandono administrativo.
As ruas seguem esburacadas. O esgoto corre a céu aberto em diversos bairros. A saúde pública vive um caos permanente. A educação acumula sinais de alerta. A cobrança de impostos cresce enquanto os serviços básicos afundam na precariedade. O cidadão paga caro para assistir a uma gestão mais preocupada em blindar a própria imagem do que resolver problemas reais.
A impressão que fica é a de um governo que transformou críticas em prioridade administrativa. Em vez de responder com obras, eficiência e resultados, prefere responder com processos, narrativas e marketing institucional.
É curioso observar como certos setores da imprensa local demonstram rapidez impressionante para divulgar decisões favoráveis ao prefeito, mas uma lentidão quase olímpica quando o assunto envolve denúncias sobre limpeza urbana precária, descontrole das contas públicas ou o sentimento crescente de frustração popular.
Nos bastidores da cidade, a frase já ecoa sem cerimônia: “prefeito de um mandato só”. Não por perseguição política, mas porque a realidade cotidiana começa a falar mais alto que qualquer campanha publicitária.
Na tentativa de controlar narrativas, Gustavo Carmo corre o risco de entrar para a história política local como uma espécie de Midas ao contrário: tudo o que toca vira desgaste, conflito e decepção popular.