POLITICA

ÔNIBUS “SEMINOVOS” E PROMESSAS VELHAS: A MOBILIDADE DE ALAGOINHAS SEGUE NO PONTO MORTO

A gestão municipal anunciou a “renovação” da frota de ônibus com veículos usados de até 10 anos, classificados como “seminovos” pelo secretário Hilton Ribeiro. A medida foi criticada por não representar avanço real na qualidade do transporte, mantendo dúvidas sobre conforto, acessibilidade e atendimento aos bairros. Enquanto o prefeito Gustavo Carmo é citado como empenhado na melhoria do sistema, a população segue enfrentando ônibus sucateados, falhas no serviço e a ausência de respostas sobre a prometida gratuidade no transporte público.

ÔNIBUS “SEMINOVOS” E PROMESSAS VELHAS: A MOBILIDADE DE ALAGOINHAS SEGUE NO PONTO MORTO

Por trás do discurso otimista do secretário da SEMORP, Hilton Ribeiro, esconde-se mais um capítulo do improviso travestido de planejamento. A anunciada “renovação” da frota de ônibus coletivo não virá com veículos novos, modernos ou alinhados com o que a população merece, mas sim com ônibus usados, de até 10 anos de circulação, rebatizados convenientemente como “seminovos”.

A justificativa? São veículos a diesel “capazes de atender a demanda”. A pergunta que fica é: atender qual demanda? A do cidadão que paga caro por um serviço precário ou a da gestão que insiste em empurrar soluções paliativas como se fossem avanços estruturais?

O plano, segundo o secretário, está projetado para 2026. Até lá, o usuário segue refém de uma frota sucateada, operada por diferentes empresas, muitas delas sem o mínimo de padrão de qualidade. Em vários bairros, o cenário é de abandono: ônibus quebrados, atrasos constantes e, em alguns casos, até cobrança irregular de passagem para idosos, um desrespeito frontal à legislação.

E os tais “seminovos”? Nenhuma palavra sobre ar-condicionado, acessibilidade digna ou conforto mínimo. Nenhuma garantia de que esses veículos representarão, de fato, uma mudança significativa na vida do trabalhador que depende do transporte público todos os dias.

Enquanto isso, o prefeito Gustavo Carmo segue citado como protagonista de uma “luta” para melhorar a frota. Mas a população não vive de narrativa — vive de realidade. E a realidade é dura: promessas acumuladas, prazos empurrados e silêncio sobre um tema que já virou cobrança permanente nas ruas, a gratuidade no transporte público.

Quando ela começa? Essa resposta, mais uma vez, não veio.

A gestão parece apostar na memória curta do povo. Mas não é o caso. A população lembra, cobra e sente no bolso, e no ponto de ônibus — o peso de um sistema que insiste em não evoluir.

Porque, no fim das contas, trocar ônibus velhos por ônibus usados não é renovação. É maquiagem. E o povo de Alagoinhas já cansou de maquiagem.